Anarquismo verde

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Foto de Walfrido Neto- Anarquia Verde

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

MUSEU PARANOICO

Por aqui não se vê mais o mar,
de querer, de molhar, aos meus pés,
veio a mim um museu secular,
como tumba do velho Ramsés,

nesta hora eu não sinto areia,
que outrora coçava meus dedos,
num instante minh'alma falseia,
como a pólvora de mudos torpedos,

que lugar infernal, silencio,
onde quadros e almas se velam,
não sou mais, e sem mar, sentencio,
entre pós e as sanções que escalpelam,

quero ao mundo salino, voltar,
como areia, espalhar meu destino,
ser o dia brilhante, reinar,
com razão, sem castelo, nem sino.

Roberto Armorizzi

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

RECINTO



Dói-me tanto ... sinto
a dor que não passou,
prende-me agora, o recinto
que antes me libertou.

Faço com meu passo, a senda,
o amor que não te dou,
ó pena que não escreve ... nem desvenda,
é assim, pois triste estou.

Um rio que sonha,
sem mar, transbordou,
enchente medonha,
amor terminou ...


Roberto Armorizzi

domingo, 19 de dezembro de 2010

TUNDRA


Gélida tundra,

força opressora do mal,

corpo carnal.

Nota do autor.
“Corpo corruptor da alma.”

Roberto Armorizzi

terça-feira, 21 de setembro de 2010

BRINCAR COM SIGNIFICADOS

Este texto não é para ser interpretado de forma literal.
Quero, neste momento, expor uma questão, que a despeito de opiniões contrárias, reputo filosófica.
Tomemos como exemplo demonstrativo, a chuva.
Em qualquer lugar, ao ar livre, onde não haja qualquer coisa que sirva de cobertura, a chuva pode cair ao chão sem nenhum motivo impediente.
Dentro de uma casa ou em qualquer outro ambiente fechado, a chuva geralmente não cai em seu interior, em razão de um fator impeditivo que pode ser um telhado ou algo que o valha. Porém, se houver orifícios, rachaduras, etc., no recinto, a água da chuva poderá cair no interior desse espaço coberto.
Mas há lugares onde a chuva não tem possibilidade alguma de cair. Tais lugares situam-se, por exemplo, no fundo do mar, uma vez que tal ambiente é composto, em sua totalidade, obviamente de água.
Agora, deve-se formular uma pergunta em razão da suposta validade de sentido, pelo menos do ponto de vista da quantidade.
Para quê chover sobre o mar?
Isto é algo incompatível com a lógica, uma vez que já há quantidade suficientemente grande de água no oceano, inviabilizando a necessidade da chuva.
O que se pode aproveitar da leitura de um texto como este?
Eis a questão...

Nota do autor.
Estamos cercados de um completo caos universal. Nossas mentes é que interpretam o universo caótico que nos rodeia, categorizando, ou seja, medindo, quantificando, qualificando, analisando, nomeando, etc. São, assim, criados diversos paradigmas que nos dão ilusão de organização e equilíbrio.
A linguagem nos permite brincar com as significações criadas.

Roberto Armorizzi

terça-feira, 20 de julho de 2010

ILUSÕES DE VISÕES NA ORLA


Não deixe a água rolar,
corre, corre para o mar!
Os períodos acabam,
a ponto de se inventar momentos,
tão sedentos

de fazer voltar a vida
num instante,
na sensação errante
de se estar pendurado
num pedaço de barbante.

Um dia tudo isso se espraia
num fluxo de água e areia,
na beira da praia;
essa meiga e bela visão rara,
queremos que jamais se esvaia.

Nota do autor:"Lugar sem sombra porque a luz é maior."

Roberto Armorizzi