Mui’sensual, ao sublime, igual,
é o despir do véu que hoje cobre
sua louca e linda nudez matinal –
quero-a em mim, nueza imoral,
neste amor que já não tem mais fim.
Sou enfim em seu querer se dar,
há você para meu viver, amar,
lembrar
de quando primeiro beijo se deu
feliz porque se quis, estar.
Carne e espírito se unem agora
nesta manhã de luz, que o dia abre...
e deita-se sobre as flores do campo,
das quais flui o néctar
na explosão do desejo,
quando o prazer revigora o sonho,
onde vejo-me solto
e puro neste ensejo
de amor, que ora vejo...
e festejo...
em mim...
em você...
com você...
Nota do autor.
“A sublime beleza de’um fazer amor ao amanhecer.”
Roberto Armorizzi
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
NOSSOS DOIS QUERERES
Cada um de nós
tem dois quereres,
que nunca estão
sempre em si,
cada um de nós
“é dois seres”,
que estão perto
e longe daqui,
um quer ficar,
o’utro, partir,
um quer pensar,
o’utro, sentir...
Mas nenhum dos dois
quer pedir,
perdoar, dividir,
compartilhar -
quer, um ao outro,
invadir,
e, rebeldia, gerir,
até, competir,
esquecendo’o “existir”,
é o desejo a ferir,
é que no fundo, no fundo,
um quer amar,
o’outro, sorrir...
Nota do autor.
‘Só o ambivalente ser humano “consegue” o contra-senso ao amor.’
Roberto Armorizzi
tem dois quereres,
que nunca estão
sempre em si,
cada um de nós
“é dois seres”,
que estão perto
e longe daqui,
um quer ficar,
o’utro, partir,
um quer pensar,
o’utro, sentir...
Mas nenhum dos dois
quer pedir,
perdoar, dividir,
compartilhar -
quer, um ao outro,
invadir,
e, rebeldia, gerir,
até, competir,
esquecendo’o “existir”,
é o desejo a ferir,
é que no fundo, no fundo,
um quer amar,
o’outro, sorrir...
Nota do autor.
‘Só o ambivalente ser humano “consegue” o contra-senso ao amor.’
Roberto Armorizzi
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
TRISTEZA DE PORTA
A mais esquecida é a porta,
já não é assim com a janela,
pois esta, a paisagem reporta,
e a outra, “se passa por ela”!
Nota do autor.
‘Pela porta, apenas passamos. Na janela, paramos para observar a paisagem do lado de fora. Há também a questão da porta “querer se passar” por janela, denotando falta de autenticidade. Percebe-se tais facetas graças ao duplo sentido demonstrado pela expressão “se passa por ela”.’
Roberto Armorizzi
já não é assim com a janela,
pois esta, a paisagem reporta,
e a outra, “se passa por ela”!
Nota do autor.
‘Pela porta, apenas passamos. Na janela, paramos para observar a paisagem do lado de fora. Há também a questão da porta “querer se passar” por janela, denotando falta de autenticidade. Percebe-se tais facetas graças ao duplo sentido demonstrado pela expressão “se passa por ela”.’
Roberto Armorizzi
TERAPIA DO GIBI
Quanto gibi eu já li,
quanto gibi eu pedia,
quanto gibi eu já vi,
quanto gibi eu queria.
Eu sonho ao ler gibi,
eu troco gibi e exponho,
de gibi, eu nunca esqueci,
gibi não é enfadonho.
É muito bom ter gibi,
gibi faz bem par’a vista,
gibi, eu nunca vendi,
não dou gibi, não insista.
Só quero saber de gibi,
somente gibi me’interessa,
eu, lendo gibi, não sofri,
pois só o gibi desestressa.
Nota do autor.
“Ler gibi, um hábito desde a infância.”
Roberto Armorizzi
quanto gibi eu pedia,
quanto gibi eu já vi,
quanto gibi eu queria.
Eu sonho ao ler gibi,
eu troco gibi e exponho,
de gibi, eu nunca esqueci,
gibi não é enfadonho.
É muito bom ter gibi,
gibi faz bem par’a vista,
gibi, eu nunca vendi,
não dou gibi, não insista.
Só quero saber de gibi,
somente gibi me’interessa,
eu, lendo gibi, não sofri,
pois só o gibi desestressa.
Nota do autor.
“Ler gibi, um hábito desde a infância.”
Roberto Armorizzi
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
ENTRE O ERRO E O ACERTO
Que triste destino
de um ser perdido,
sofrido, exaurido,
por não saber errar;
tão só, pequenino,
de queixo caído
e coração partido,
por não querer chorar;
gentil, tão fino,
por dentro, ferido,
do caminho, banido,
sem poder voltar;
que’incrível destino,
volto a lamentar,
faço tudo sem zelo
para, com erro, festejar;
mas, enfim,
ai de mim,
é mesmo assim,
não consigo, é o fim,
do acerto, escapar!
Nota do autor:
“Erro e acerto, qual dos dois tem conserto?”
Roberto Armorizzi
de um ser perdido,
sofrido, exaurido,
por não saber errar;
tão só, pequenino,
de queixo caído
e coração partido,
por não querer chorar;
gentil, tão fino,
por dentro, ferido,
do caminho, banido,
sem poder voltar;
que’incrível destino,
volto a lamentar,
faço tudo sem zelo
para, com erro, festejar;
mas, enfim,
ai de mim,
é mesmo assim,
não consigo, é o fim,
do acerto, escapar!
Nota do autor:
“Erro e acerto, qual dos dois tem conserto?”
Roberto Armorizzi
terça-feira, 3 de agosto de 2010
SER ABISSAL
Beleza indômita no fundo do ser,
mascara ilusões que não ousa dizer,
só pede, na paz, para enfim se evadir,
e’em fluxos de manchas, na tela, existir.
Beleza sofrida, recôndita está,
tão bela’é ferida mais funda que há,
emerge do sonho e lança-se ao céu,
e cai sobre o pano, pintando esse véu.
O quadro recebe tal força de amor,
a tinta se espalha com arte e frescor,
mas quando percebe que o mundo se esvai,
retorna ao abismo, ess’alma que cai.
Nota do autor:
“Um ser que emerge do fundo de si mesmo, deixa sua marca de beleza na obra de arte e depois mergulha de volta ao seu abismo de origem.”
Roberto Armorizzi
mascara ilusões que não ousa dizer,
só pede, na paz, para enfim se evadir,
e’em fluxos de manchas, na tela, existir.
Beleza sofrida, recôndita está,
tão bela’é ferida mais funda que há,
emerge do sonho e lança-se ao céu,
e cai sobre o pano, pintando esse véu.
O quadro recebe tal força de amor,
a tinta se espalha com arte e frescor,
mas quando percebe que o mundo se esvai,
retorna ao abismo, ess’alma que cai.
Nota do autor:
“Um ser que emerge do fundo de si mesmo, deixa sua marca de beleza na obra de arte e depois mergulha de volta ao seu abismo de origem.”
Roberto Armorizzi
quinta-feira, 29 de julho de 2010
SER TU, EM MIM
A voz, sentir,
o véu, abrir,
o chão, servir,
não sou, és tu...
O mel, sorver,
o não, querer,
o caos, viver,
não és, sou eu...
Todas as vezes,
com todo amor,
estás sorrindo,
és tu, em mim...
O sonho, acordar,
o verbo, versejar,
o sêmen, fecundar,
sou eu, em ti!
Nota do autor:
“De outra face, o mesmo querer.”
Roberto Armorizzi
o véu, abrir,
o chão, servir,
não sou, és tu...
O mel, sorver,
o não, querer,
o caos, viver,
não és, sou eu...
Todas as vezes,
com todo amor,
estás sorrindo,
és tu, em mim...
O sonho, acordar,
o verbo, versejar,
o sêmen, fecundar,
sou eu, em ti!
Nota do autor:
“De outra face, o mesmo querer.”
Roberto Armorizzi
Assinar:
Postagens (Atom)
