Anarquismo verde

Anarquismo verde
Foto de Walfrido Neto- Anarquia Verde

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O QUE SOU


Entrei no brechó,
que susto – vi meu busto,
mudo e vetusto.

Nota do autor.
"Se não quer ver seu busto, não entre no brechó."

Roberto Armorizzi

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

VERDE AMOR


Onça pintada,
onde está seu verde amor?
Cidade levou!

Nota do autor.
"Não chamem a onça de fera!"

Roberto Armorizzi

TEMPO DE GARÇAS “MAGRIÇAS”


Garças brancas e “magriças”,
aladas de suas preguiças,
voam no céu, sobre a orla;

outras delas, despencam e descansam
poisadas sobre ilhota pétrea,
cercada de’água salgada e fétida
do mar empoçado de’agora ...

Tudo em volta, chora,
a beira, na mata, embrenha
casas, galpões e até sereias,
umas belas, outras feias ...

Ao fundo do horizonte,
dorme o velho templo,
esplendor sobre íngreme penha,
que o bairro de mesmo nome, desenha ...

E num triste fundo de vidas,
destinos e florestas “escalpeladas”,
natureza e pedra, de tanta ira, ficaram caladas,
desde o dia em que as garças
entenderam que foram fotografadas!

Nota do autor.
"Esperemos que as garças olhem suas fotos."

Roberto Armorizzi

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DOENTIAMENTE SAUDÁVEL


Ó, vil pedaço de corpo
“de mente” insegura de ser;
qual é o seu mundo autêntico?
Incertezas depressivas,
inconstâncias passíveis
de questões explosivas?

Alma cansada, ou até “penada”,
localizada entre a carne e o espectro,
espasmo, orgasmo do intelecto,
feliz humor de crise,
infeliz aspecto;

desprezo,
questiono,
contesto,
enfim, detesto!

Sofro o desplante
de um pseudo “introspecto” ...

Preciso chegar incólume naquilo que hei de ser!!!


Nota do autor.
"O caminho mais difícil é o do próprio eu."

Roberto Armorizzi

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

LUZ QUE OCULTA


A noite volta
para mostrar aquilo
que’o dia esconde.

Nota do autor.
“Há momentos em que a luz ofusca os olhos.”

Roberto Armorizzi

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O AMOR E O PÓ DOS SÉCULOS


Por que me perturbas,
através deste quadro?
A pintura torna-se viva
quando, com jeito leviano,
tu te deixas pousar
no suporte da lâmpada!

Atormentar-me,
eu sei que pretendes,
em razão d’eu
não querer admitir
que te amo ...

Maldita bruxa!

Por que voas para o quarto,
e quando, de ti, vou atrás,
desapareces, deixando-me perdido
na ânsia do teu encalço?

Quero negar a pintura,
anular feiticeira imagem,
que nela se enquadra ...
Mas não posso!
É a única senda
por onde posso caminhar!

Não, não quero
ver-te passando em voo,
com suas peludas asas
de obscura mariposa,
a espalhar o pó dos séculos,
para, meus olhos, cegar ...
Preciso não enxergar!

Porém, quero sentir-te,
linda na grande obra,
por mim, um dia, pintada,
e nesta vil parede, postada!

Mulher, tu não me esqueces,
nem me deixas esquecer-te ...

De longe, vens,
cruzando o vazio éter,
trazendo o fogoso carinho
que queima
minh’envergad’alma,
que ainda pede por teu amor!

Não importa que a dor,
em vão, não sare meu espírito ...
Estarei sempre, teu retorno, a esperar,
sem querer, nem poder recuar,
pois invade-me ainda,
teu velho amor secular!

Nota do autor.
“Nesta peça poética, o velho amor secular confunde-se com nosso ininterrupto caminho de finitudes.”

Roberto Armorizzi

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A VOZ DO MAR


Eu falo do mar,
o mar não fala de mim,
ele fala'em nós.

Nota do autor.
"Discursamos com a voz do mar."

Roberto Armorizzi