Era uma vez, Bodão,
um bode a passear,
que gostava
de as bodas, olhar.
Além de curioso,
era bode ambicioso,
só olhava
bodas de prata, ouro, diamante,
com um rico olhar ditoso.
Um dia,
de tanto espiar
as belas em seu passar,
conheceu Glória, boda solteira,
deveras rica e faceira,
que o fez apaixonar.
E foi assim tão lindo o’sonho,
que, com ela, quis se casar,
mas teve relação não-grata,
nem completou bodas de lata,
pois bem logo ela se foi,
para não mais retornar.
Depois de muito chorar,
nunca mais ele quis voltar
às lindas bodas, espiar.
Após essa triste história,
Bodão perdeu sua “glória”
de um grande espiador,
caiu em mundo ilusório,
chegou a ser vexatório,
sua vida assim desabou.
Por ser tão espiatório,
depois de desfeito o casório,
fez-se bode expiatório
da culpa que nele ficou.
Nota do autor:
"Esta é uma lição para o conquistador barato, pois não se deve cobiçar as bodas sem ter o devido lastro."
Roberto Armorizzi
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terça-feira, 15 de junho de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
DOIS PONTOS MÓVEIS

Estou no meio de um ponto,
do qual aponto outro ponto,
o ponto que quero chegar;
mas para eu ir a'esse ponto,
preciso sair, estou tonto,
do ponto que sai meu olhar;
e o ponto que quero, que conto,
me dá outro olhar, mas de encontro
ao ponto que quero deixar;
mas não sei sair deste ponto,
que faz o encontro do ponto,
no meio de mim, situar;
não sei onde eu vou chegar,
do jeito que quero apontar!
Nota do autor:“Pontos que determinam singularidade.”
Roberto Armorizzi
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