Anarquismo verde

Anarquismo verde
Foto de Walfrido Neto- Anarquia Verde

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

TU ÉS PASSARINHO


Que gaiola é essa?
Salta e voa, passarinho,
para o ar da vida!

E as penas,
conserva apenas
as de teu corpo
leve e absorto,

e voa
de porto em porto ...

Nota do autor:
“Metáfora de ti mesmo.”

Roberto Armorizzi

QUERO A NOITE



De madrugada,
eu subo a escada,
e’não penso em nada.

Nota do autor:
“A beleza e a liberdade da noite.”

Roberto Armorizzi

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ASNO RUIM DE CASCO


Fui a Osasco,
em asno ruim de casco,
belo fiasco!

Nota do autor.
“Sempre escolha bom asno para suas andanças.”

Roberto Armorizzi

BEM QUERER


Maria José
não queria
José Maria,

José Maria
não queria
Maria José.

Maria José
bem queria
Maria de Maria,

José Maria
bem queria
José de José.

Hoje penso,
passa’o tempo,
quem diria,

são presentes
os quereres
de’hoje em dia!

Nota do autor:
“Amor é sempre amor.”

Roberto Armorizzi

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

IMAGEM


Prefiro
um pequeno sorriso,
a ter um eterno rancor;

não quero
o amor indeciso,
por ser um reflexo da dor.

Nota do autor.
"Um sorriso de apenas um instante supera qualquer eternidade.”

Roberto Armorizzi

domingo, 30 de janeiro de 2011

MUNDO PALHAÇO


O palhaço é do circo,
o pão, da padaria,
o pão, fornece o trigo,
o circo, “palhaçaria”.

O circo mostra’o palhaço,
padaria, esconde o pão,
mas pão, do trigo, faço,
padaria na minha mão.

No circo, fico calado,
padaria “me dá trabalho”,
de circo, estou cansado,
sem pão, eu “m’estraçalho”.

Nota do autor.
“O espetáculo circense do pão.”

Roberto Armorizzi

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

“INOCÊNCIA ROMÂNTICA”


Algo inusitado era presenciado quando algum novo morador chegava àquele bairro. Minha rua era divertida, pois havia muitos meninos animados, como eu, ali, naquela época.
Mas alguns atos “sacanas” eram feitos aos jovens (homens) recém chegados, como por exemplo, deixá-los totalmente nus no meio da rua, pendurando suas vestes e calçados no alto dos fios de eletricidade. Era uma situação vexatória, até que chegassem em casa e vestissem outras roupas.
Naquele tempo (anos 70), em época de verão, as pessoas ainda podiam dormir com suas janelas abertas, sem medo de ladrões e, por isso, de madrugada, passavam por ali meninos travessos a jogar ovos crus pelas janelas das casas, os quais ao se espatifarem, deixavam o interior das residências, lambuzados de clara e gema.
Era muito desagradável quando, de manhã, as pessoas despertavam e viam seus quartos e salas melados com o conteúdo de todos aqueles ovos. Porém, no fundo, aquilo não passava de “inocência romântica” que não se vê mais hoje em dia.
Apesar de nunca participar dessas brincadeiras, confesso que achava aquilo tudo muito engraçado.


Roberto Armorizzi